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Escandinavos são os mais pobres da Europa
AMBRUCE BAWER DO "NEW YORK TIMES"
A idéia corrente sobre a vida econômica nos países nórdicos é facilmente resumível: as pessoas são incomparavelmente ricas, com todas as suas necessidades supridas por um Estado assistencialista eficiente. Elas acreditam nisso. Mas a realidade -como pode atestar este americano que vive em Oslo e como confirmam estudos recentes- não é exatamente o que parece.
Enquanto o establishment escandinavo apregoa essa noção duvidosa, apresenta uma imagem dos Estados Unidos como um país dividido, de forma desigual, entre barões-assaltantes e escravos assalariados, para não falar em exércitos de sem-teto e desempregados.
Ele faz isso para que as pessoas continuem acreditando que seu sistema de bem-estar social, financiado por um pesado Imposto de Renda, oferece muito mais no sentido de proteções econômicas e amenidades do que o sistema dos EUA. Proteções, sim -mas alguns noruegueses podem questionar a parte das amenidades.
Em Oslo, os acervos das bibliotecas estão terrivelmente desatualizados e as piscinas públicas precisam desesperadamente de manutenção. Reportagens na imprensa descrevem uma grave escassez de policiais e de suprimentos escolares. Quando minha sogra foi para o pronto-socorro recentemente, o hospital não tinha remédio para tosse.
Na Noruega, uma frase comum é que deve haver algum engano, que essas coisas simplesmente não deveriam acontecer no "país mais rico do mundo". Por que os noruegueses têm uma imagem de si mesmos como tão ricos? Em parte porque, comparados com seus avós (que viveram antes da descoberta do petróleo no mar do Norte), eles são ricos. Poucos, porém, questionam se é realmente o país mais rico do mundo.
Desde que me mudei para cá, seis anos atrás, rapidamente percebi que os noruegueses vivem de maneira muito mais frugal que os americanos. Eles conservam velhos eletrodomésticos e móveis que nós jogaríamos fora. E dirigem calhambeques.
Desde que me mudei para cá, seis anos atrás, rapidamente percebi que os noruegueses vivem de maneira muito mais frugal que os americanos. Eles conservam velhos eletrodomésticos e móveis que nós jogaríamos fora. E dirigem calhambeques.
Uma imagem em especial ficou na minha mente. Em uma aula de língua norueguesa, minha professora ilustrou o significado da palavra "matpakke" (lanche embrulhado) pegando em sua mochila um sanduíche embrulhado em papel. Era seu almoço. Sim, os professores são mal pagos em todo lugar. Mas na Noruega o "matpakke" é generalizado, das salas de aula às salas de diretoria.
Não é simplesmente uma questão de tradição, uma preferência pela vida simples, não materialista. Jantar fora é simplesmente caro demais em um país onde os professores, por exemplo, ganham cerca de US$ 50 mil por ano (R$ 126 mil), antes de descontar os impostos. Uma pizza grande encomendada na pizzaria mais popular de Oslo, por exemplo, custa de US$ 34 a US$ 48 (de R$ 86 a R$ 121).Não que as mercearias sejam baratas. Todo fim de semana, exércitos de noruegueses dirigem até a Suécia para se abastecer nos supermercados, uma pechincha nos padrões noruegueses. E isso também não é uma grande solução, pois a gasolina custa mais de US$ 1,58 o litro (R$ 4).
Tudo isso foi examinado no ano passado por um estudo de uma organização de pesquisas sueca, Timbro, que comparou o PIB dos 15 países da União Européia (antes da expansão de 2004) com o dos 50 Estados dos EUA e do Distrito de Colúmbia.Depois de ajustar os números para os diferentes poderes de compra do dólar e do euro, o único país europeu cuja produção econômica por pessoa era maior que a média dos Estados Unidos era o pequeno paraíso fiscal de Luxemburgo, que ficou em terceiro lugar, logo depois de Delaware e pouco à frente de Connecticut.
O próximo país europeu na lista era a Irlanda, em 41º lugar dos 66; a Suécia era o 14º de baixo para cima (depois do Alabama), seguida por Oklahoma, depois Reino Unido, França, Finlândia, Alemanha e Itália. Os últimos três lugares eram Espanha, Portugal e Grécia.
O próximo país europeu na lista era a Irlanda, em 41º lugar dos 66; a Suécia era o 14º de baixo para cima (depois do Alabama), seguida por Oklahoma, depois Reino Unido, França, Finlândia, Alemanha e Itália. Os últimos três lugares eram Espanha, Portugal e Grécia.
Em suma, enquanto os escandinavos ouvem falar constantemente que estão em melhor situação que os americanos, as estatísticas da Timbro sugerem um cenário diferente. O mesmo fez um trabalho de um jornalista econômico sueco, Johan Norberg.
Comparando o "sonho americano" com o "devaneio europeu", Norberg descreveu a diferença: "O crescimento econômico nos últimos 25 anos foi de 3% ao ano nos EUA, comparado com 2,2% na União Européia. Isso significa que a economia americana quase duplicou, enquanto a européia cresceu ligeiramente mais que a metade. O poder aquisitivo nos EUA é de US$ 36,1 mil per capita, e na UE é de US$ 26 mil -e a diferença cresce constantemente".
No final de março, outro estudo, este da empresa de contabilidade e consultoria internacional KPMG, esclareceu esse paradoxo. Ele indicou que, quando a renda disponível é ajustada para o custo de vida, os escandinavos são a população mais pobre da Europa ocidental. Os dinamarqueses têm a renda ajustada mais baixa, os noruegueses a segunda mais baixa, os suecos, a terceira. Espanha e Portugal, duas das economias menos regulamentadas da Europa, encabeçavam a lista.
Recentemente, o Ministério das Finanças dinamarquês divulgou estudo comparando a renda disponível para consumo privado em 30 países. A Noruega se saiu melhor do que no estudo da KPMG, ficando atrás da maior parte da Europa ocidental, mas superando Irlanda e Portugal.
A intenção, porém, era confirmar a imagem da riqueza americana e européia da Timbro e de Norberg. Enquanto o valor do consumo privado nos Estados Unidos era de US$ 32,9 mil por pessoa, nos países da Europa ocidental (novamente com exceção de Luxemburgo, com US$ 29.450) ele ficava entre US$ 13.850 e US$ 23.500, e, na Noruega, em US$ 18.350.
Enquanto isso, as referências à Noruega como "o país mais rico do mundo" continuam. Uma reportagem publicada no dia 2 no "Dagsavisen", um importante diário de Oslo, perguntava: "Como é que no país mais rico do mundo estamos demolindo serviços sociais que foram construídos quando a Noruega era muito mais pobre?".
Enquanto isso, as referências à Noruega como "o país mais rico do mundo" continuam. Uma reportagem publicada no dia 2 no "Dagsavisen", um importante diário de Oslo, perguntava: "Como é que no país mais rico do mundo estamos demolindo serviços sociais que foram construídos quando a Noruega era muito mais pobre?".
Obviamente, esse é um conceito errado que não será descartado só por causa de um ou dois estudos de instituições respeitadas.

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