Libéria A equipe nacional de futebol para amputados, conhecida no país como os "Lone Stars" (estrelas solitárias) treinam para o campeonato africano em Abuja, Nigéria. (Christopher Morris/VII) - http://www.swissinfo.ch/por/multimidia/galeria_fotos/Mundo_em_guerra.html?cid=868368&WT.mc_id=POR_adw_mundoguerra
Friday, February 05, 2010
Thursday, February 04, 2010
Sou campeão
Ainda da série gafes, outro dia estávamos em uma festinha de amigos no bairro (provavelmente, um aniversário) e um cara me mostrou uma revista de skates... Como o sujeito deveria ter seus sessenta e picos, destilei meu rancor e mágoa invejosa típicos de velho que já não pode mais exercer as virtudes da juventude:
-- Qualquer uma faz isto. Subir num pedaço de tábua e deslizar.
Eu fiquei sem entender porque o sujeito, alegre, brincalhão, um músico amigo de meus amigos, jazzista, boêmio ficou com uma indescritível cara de cu.
-- É meu filho! Me disse depois de longos segundos de um silêncio pré-tormenta gástrica.
A edição nas mãos do orgulhoso progenitor retratava um campeonato mundial com o garoto na capa praticamente de cabeça pra baixo com a pista no lugar do céu. “Campeão mundial” ou algo assim dizia a revistinha.
A vantagem de beber em festas é que depois dá pra rir do monte de besteira que faço. Isso é.
...
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Monday, February 01, 2010
É a demografia, idiota
Caio Rossi em moedA de carbonO? argumenta que a “moeda de carbono” (uma alusão ao MDL proposto em Kyoto) seria uma estratégia para reavivar a economia do dolar... Não, não queira entender, é muita bobagem.[1] Mas, o que vale a pena é sua insinuação (baseado no artigo referenciado[2]) de que a redução da pobreza, o controle populacional, o controle ambiental, o aquecimento global (antropogênico), o consumo de energia e a distribuição de riquezas fazem parte deste esquema ‘globalista’ que alicerça a “Nova Ordem Mundial”, embora não tenha usados tais expressões desta vez...
Tomemos a demografia como exemplo da falha deste tipo de raciocínio.
População aumenta, ou diminui, ou estabiliza. E estamos entre as duas últimas opções no cenário mundial mais por fatores espontâneos (conseqüência da urbanização) do que ações intencionais e conseqüentes de governos que variam políticas segundo conjunturas.
Assim como qualquer outra população animal que cresce demais, estabiliza e cai, o mesmo está acontecendo conosco.
Estamos no caminho natural e, ainda certo, socialmente falando.
Mas, soluções são problemas com a ampliação da perspectiva temporal. Na verdade, o problema de médio prazo será – o que já é para muitos países – como equacionar as aposentadorias com o número crescente de idosos. A solução finlandesa de idade mínima de aposentadoria de 65 anos também parecerá modesta.
Só com uma mentalidade anticapitalista que as oportunidades não são vistas como o momento de fazer a coisa certa, mas algo pecaminoso.
Thomas Malthus a sua época, frente à realidade que se delineava, [b]estava certo[/b]. Hoje em dia, frente às inovações posteriores é muito fácil criticá-lo. Acho muito fácil criticar um autor anacronicamente, quando a realidade já mudou. Se temos que criticá-los, temos que encontrar o que, em sua própria época não foi levado na devida conta. Analogamente, uma crítica a Marx tem muito mais consistência se leva em conta falhas metodológicas intrínsecas do que dizer que as classes sociais mudaram e se diversificaram. Esta última crítica não anula o que ele via a sua época, mas dizer que a política e a cultura pesam tanto quanto (se não mais) do que a simples economia, sim.
E a população de muitos países já está sem interesse em criar filhos, como se vê na Europa e Japão, assim como na África há países que grande parte da população apresenta-se infectada pelo HIV.
[1] Unfortunately for individual people living in this new system, it will also require authoritarian and centralized control over all aspects of life, from cradle to grave. E por aí vai…
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Teoria da conspiração
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Trololó islamo-sofista - 2
Al Qaeda, “se é que essa organização realmente existe...”
Caio Rossi, em um detalhe que passou batido, diz:
“No entanto, al-Fadhili, que lidera o Southern Movement, nega veementemente qualquer envolvimento com a Al-Qaida...”
A negação de envolvimento com a al-Qaeda[1] por al-Fadhli, com um ‘i’ a mais por Caio Rossi... Permite ao nosso missivista concluir que haja ‘armação’ por parte dos EUA com vistas à Somália:
“E de forma coordenada e muito conveniente para os EUA, os ataques dos piratas somalis recrudesceram”
Exceto pelo detalhe de que na Somália, o apoio e ligação com a al-Qaeda se tornou explícito[2], tudo se encaixaria, ao final das contas, em um ‘claro’ jogo para manter a hegemonia imperialista americana na região:
“(...) a intenção americana: manter a compra do petróleo saudita e de toda a OPEP exclusivamente em dólares, para evitar o "refluxo híper-inflacionário" da moeda nos EUA, e ao mesmo tempo bloquear as opções da China na região, fazendo-a buscar petróleo na Sibéria, jogando-a necessariamente contra a Rússia.”
Esta é outra questão a ser discutida posteriormente[3], mas o que nos interessa de imediato é o artifício cheio de remendos ao concluir que não há ligações com a al-Qaeda na região, de que tudo não passa de invenção e que serve, em última instância, para se apropriar de recursos alheios.
Se o Caio quer insistir neste tipo de argumentação, tudo bem, mas que o faça com fatos e não ajustando detalhes para se encaixar em suas premissas. Será que passou em sua mente imaginativa que a al-Qaeda pode estar atuando na região em confluência com outros movimentos jihadistas? E que o foco de combate ocidental não é uma organização em particular, mas o terrorismo jihadista no geral?
...
[1] http://www.jamestown.org/single/?no_cache=1&tx_ttnews[tt_news]=35757&tx_ttnews[backPid]=61&cHash=5ff5374579
[2] http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/02/01/grupo-militante-da-somalia-revela-ter-se-aliado-al-qaeda-915756855.asp
[3] O que o Caio deveria entender antes de proferir tamanha asneira é que os maiores financiadores atuais dos EUA (e de sua moeda, portanto) são, justamente, a China e os exportadores de petróleo árabes. Só isto já é suficiente para desmontar a tese conspiracionista.
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Friday, January 29, 2010
Liberalismo e Responsabilidade
Um artigo publicado na edição desta quinta-feira da revista britânica The Economist afirma que o liberalismo econômico ainda é tabu no Brasil.
“Liberalistas econômicos são tão escassos no Brasil como flocos de neve”, diz o texto, intitulado The almost-lost cause of freedom (“A causa quase perdida da liberdade”, em tradução livre).
O artigoafirma que a “mudez” dos liberalistas no país ocorre, em parte, porque o voto é compulsório, o que faz com que os eleitores pobres “ajudem a empurrar os partidos na direção de um Estado maior”.
De acordo com a Economist, “a escassez dos liberalistas é ainda mais estranha dada a história do país”.
Nesse sentido, a revista oferece ainda outra explicação para essa falta – o fato de que muitos dos políticos brasileiros participaram da oposição durante o regime militar (1964-1985).
O texto cita, por exemplo, que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva era um líder sindicalista, e o pré-candidato nas próximas eleições José Serra, um ex-líder estudantil exilado.
Apesar disso, o artigo afirma que muitos dos políticos que faziam parte dessa oposição esquerdista “provaram ser pragmáticos no governo”.
A revista afirma, por exemplo, que nenhum dos candidatos nas próximas eleições fala em cortar impostos, apesar do aumento da porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) destinada ao governo, que chegou a um patamar próximo dos países europeus.
Avanços
De acordo com a Economist, os liberalistas brasileiros enfrentam ainda outro problema para se manifestarem: “a falta de um partido onde suas ideias sejam bem-vindas”.
Mas, se a tônica do texto trata da falta de liberalistas no país, a revista oferece um contraponto e afirma que as instituições responsáveis pela política econômica estão mais liberais, no sentido de que estão mais livres da interferência do governo do que jamais estiveram.
A revista afirma ainda que a abertura econômica trazida pelo governo de Fernando Collor de Melo impulsionou os liberalistas a “fazer mais barulho” e cita os grupos voltados a essa doutrina, como o Fórum da Liberdade e o Movimento por um Brasil Competitivo.
Apesar dos avanços, a Economist afirma que “por enquanto, no entanto, as pessoas que queiram praticar o liberalismo econômico são aconselhadas a fazê-lo em particular”.
Liberalismo econômico ainda é tabu no Brasil, diz 'Economist'
© BBC 2010
-grifos meus.
Em minha opinião, a atitude dos comerciantes em Honduras deveria ser seguida pelos brasileiros quando o estado os prejudicasse. Ou seja, só com a judicialização da sociedade é que o liberalismo pode avançar.
A normalidade começa a voltar ao poucos à vizinhança da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde o ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, ficou abrigado por mais de quatro meses antes de deixar o país, na última quarta-feira.
Após a saída de Zelaya, as barreiras usadas pelos militares para impedir o acesso aos quarteirões próximos à embaixada foram retiradas e os holofotes utilizados pelas forças hondurenhas para jogar luz sobre o prédio foram desinstalados.
Com o acesso às ruas liberado, os vizinhos começam agora a contabilizar os prejuízos causados pelos quatro meses de cerco, e alguns, inclusive, esperam ganhar algum tipo de indenização por parte do Brasil ou do governo hondurenho.
Muitos dos pontos comerciais, escritórios e consultórios médicos nas imediações viram seu movimento cair de maneira drástica depois que Zelaya se abrigou no prédio da representação diplomática, e alguns tiveram que fechar suas portas.
Grande parte dos clientes se afastou devido à exigência de autorização para entrar na área isolada.
Indenização
O consultório da dentista Jacqueline Rittenhouse, por exemplo, viu seu movimento cair cerca de 70% desde o cerco, enquanto o aluguel e as contas de água e luz continuavam chegando.
“Desde que Mel (Manuel) Zelaya chegou à embaixada do Brasil, a clientela caiu cerca de 70%, porque os clientes tinham medo, não por causa dos militares, mas por causa da resistência, porque não podiam deixar os carros aqui perto, havia tumultos violentos”, diz a dentista, cujo consultório ficava ao lado de uma das barreiras montadas pelos militares.
Rittenhouse conta que estava esperando a data da posse do novo presidente hondurenho, Porfirio Lobo, na última quarta-feira, para decidir o futuro de seu consultório. Caso Zelaya não deixasse a embaixada brasileira, ela se mudaria para outro local.
A dentista agora espera receber algum tipo de ressarcimento pelos prejuízos causados pelo cerco.
“Nos afetou muito economicamente, esperamos que talvez, por meio do governo, poderemos entrar com uma ação legal, para conseguir uma indenização por todos os danos que tivemos, mas até agora não foi feito nada”, diz a dentista.
“Os militares fizeram uma pesquisa para saber quais foram os danos que tivemos, para entrar com uma ação legal contra a embaixada do Brasil, por ter abrigado esta pessoa (Zelaya)”.
Brasil
Ainda de acordo com Rittenhouse, a embaixada brasileira não é mais bem-vinda na vizinhança.
“Agora, nós não queremos mais a embaixada do Brasil aqui perto, porque não queremos que tenha outro asilado lá, nos afetou muito”, diz.
Outra que não guarda boas recordações do período de cerco é Sulma Reyes, dona de um salão de cabeleireiros que ficava próximo a uma das barreiras e cujo movimento diminuiu em cerca de 50%.
Ela conta que teve que dispensar algumas funcionárias devido aos prejuízos causados pelo cerco e confirma que os vizinhos buscam uma indenização, seja “da embaixada (brasileira), das Forças Armadas ou do governo”.
“Se eu pudesse, tiraria (a embaixada do Brasil da vizinhança). Nós não somos um país de esquerda, e o Brasil é de esquerda, desde o momento em que o apoiou (Zelaya)”, disse.
“Eles nos prejudicaram bastante, não só ele (Zelaya), mas o Brasil também.”
-grifos meus.
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Thursday, January 14, 2010
Trololó islamo-sofista[i]
Caio Rossi, mais conhecido como “Caius Trollus” em ambiente virtual me concedeu uma tréplica:
“Grifei o ‘undeveloped’ (não-desenvolvido, ou não-explorado) para que vocês percebam mais facilmente o erro de Heidrich, que, pretendendo demonstrar que essa informação estava errada, apresentou os seguintes dados retirados do site da CIA...”
A questão que foge ao Caio não é o que está escrito, mas o que está sugerido. Como ele pode saber? Baseado num site “paleo-conservador” que faz propaganda nacionalista pró-islâmica (coerente, não?), sem o mínimo esforço de provar como chegou a esta conclusão.
Assim fica fácil. Todos nós podemos do alto de alguma irresponsabilidade intelectual tentar provar que qualquer conflito caucasiano se deve à sede de domínio das reservas de petróleo do Mar Cáspio. Qualquer conflito mundial poderia nesta perspectiva ser relacionado numa imaginária relação de causa e efeito com recursos naturais regionais. Só que isto é, claramente, insuficiente. As questões que sequer tangenciam a falsa consciência de Caio são (1) como se chegou a esta suposição? E (2) quais ações efetivas diferem de oportunismos para o domínio regional que tenham, porventura, sido feitas em outras regiões carentes de recursos como os mencionados? Este seria um exercício sério no intuito de, realmente, tentar entender a dinâmica geopolítica.
Por outro lado mencionar que o Estreito de Bab-el-Mandeb é um ponto estratégico no fluxo de petróleo regional é algo tão óbvio que sequer me dei ao trabalho de comentar. Qualquer livro paradidático de geopolítica do Oriente Médio (Nelson Bacic Olic, Demétrio Magnoli, Reinaldo Scalzaretto entre outros, todos já recomendados alguma vez pelo próprio MEC) menciona isto. E, de mais a mais, não caberia a crítica porque não se trata de erro. O erro, a que Caio tentou refugar sua defesa é, justamente, a suposição de reservas inexploradas que seriam alvo da cobiça internacional. Pego no pulo, se sai dizendo que é um aspecto adjacente do texto. Boa, mas não para cima de quem conhece os meandros dos sofismas e de clichês desta questão. Vejamos:
“Ou seja, Engdahl apresentou site oficial do governo americano como prova da validade de sua premissa. Heidrich, por sua vez, apresentou outro site oficial do governo americano como suposta prova de que Engdahl estava errado, enquanto o que realmente se encontra lá é a prova de que o ‘geógrafo conservador’ não entende o que lê (além de não saber usar vírgulas).”
Engdahl apresentou uma prova de quê? De que o estreito em questão é uma passagem estratégica, como fica entendido no excerto abaixo ou de que isto, por si só, seria uma determinante no processo imperialista regional?
“closure of the Bab el-Mandab could keep tankers from the Persian Gulf from reaching the Suez Canal/Sumed pipeline complex, diverting them around the southern tip of Africa . The Strait of Bab el-Mandab is a chokepoint between the horn of Africa and the Middle East, and a strategic link between the Mediterranean Sea and Indian Ocean .”
Nosso comentarista malandrinho sugere, por acaso, que as duas coisas sejam categorias de análise similares? Vou colocar a questão de outra forma, ser olavete ou ex-olavete te torna permanentemente estúpido?
Além deste sofisma, Caio se esmera na mais rasteira tautologia ao mencionar que tenho uma “suposta prova” e Engdahl, “uma prova”. Tipo assim, “eu tenho a razão e Caio uma suposta razão...” Inteligente, não? Ora, Caio, tu pode mais do que isto como força de argumento, vamos lá!
Lembrando para aqueles que já perderam o foco e não sabem mais o que está se discutindo, Engdahl e, por extensão, Caio estão enganados em achar que potencial de exploração é motivo suficiente para armar uma situação que justifique o domínio. Simplesmente porque
1) Há outras regiões com menores custos (inclusive bélicos) para armar uma empreitada de exploração que duraria décadas;
2) Se fosse o caso, a articulação com governos favoráveis da Arábia Saudita, Etiópia e Egito seriam suficientes para esmagar qualquer oposição iemenita e somali sem a necessidade de tais acrobacias diplomáticas e estratégicas.
Por fim, Caio, quem já me revelara anos atrás que “todos ateus deveriam ser mortos” sugere que me alfabetize pela seguinte cartilha “Caminho Suave”. De acordo com seu veredicto:
“Alfabetização conservadora. Funcionou comigo e com milhões de brasileiros. Deve funcionar com ele.”
Quantos milhões? Por acaso ele não se refere àqueles que sabem ler, mas não entendem o que lêem?[1]
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Tuesday, January 05, 2010
Liberais vs. Conservadores por Chris Rock
The whole country's got a fucked up mentality. We all got a gang mentality. Republicans are fucking idiots. Democrats are fucking idiots. Conservatives are idiots and liberals are idiots.
Anyone who makes up their mind before they hear the issue is a fucking fool. Everybody, nah, nah, nah, everybody is so busy wanting to be down with a gang! I'm a conservative! I'm a liberal! I'm a conservative! It's bullshit!
Be a fucking person. Listen. Let it swirl around your head. Then form your opinion.
No normal decent person is one thing. OK!?! I got some shit I'm conservative about, I got some shit I'm liberal about. Crime - I'm conservative. Prostitution - I'm liberal.
Chris Rock on Liberals And Conservatives
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Religião e finanças
Acusado de comandar um esquema de corrupção no Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda pediu nesta terça-feira o seu desligamento da Loja do Grande Oriente de Brasília, na qual ocupava o grau de “mestre”.
A iniciativa do governador antecipou a decisão de seus colegas maçons de expulsá-lo, por infringir um dos princípios básicos da ordem, que deve ser voltada para o resgate da dignidade das pessoas. José Roberto Arruda ingressou na maçonaria em 2001, antes do escândalo do painel no Senado Federal, quando precisou renunciar ao mandato para não ser cassado. Ele agiu “para evitar constrangimentos”.
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Por outro lado...
Morreu aos 84 anos, quarta-feira da semana passada, o Arcebispo americano Paul Marcinkus, conhecido como "O banqueiro de Deus". Administrou o Instituto das Obras Religiosas do Vaticano e o seu nome (a par do cardeal Jean Villot, Secretário de Estado do Vaticano e do cardeal norte-americano John Cody, na época chefe da arquidiocese de Chicago) estará, para sempre, associado à falência do Banco Ambrosiano e ao escândalo financeiro relacionado com a Loja Maçónica P2.
Nomeado director do Instituto das Obras Religiosas (IOR) por Paulo VI, em 1971, Marcinkus contrariou a ideia de que a convivência dos governantes da Igreja com o dinheiro era um assunto embaraçoso e que raramente resultava em proveitos. De facto, ao assumir o IOR (o Banco do Vaticano) aos 47 anos, iniciou uma fulgurante carreira no mundo financeiro, começando justamente por sanear as contas da Igreja que, desde o Concílio Vaticano II se encontravam no vermelho. Dedicou-se a essa gigantesca tarefa de corpo e alma, utilizando estratégias e envolvendo-se em operações dignas de um "tubarão das finanças", o que lhe valeu o respeito internacional do poder económico. Entre as mais corajosas medidas que tomou, encontra-se a diversificação dos destinos de investimento do Vaticano, que repartiu pelos Estados Unidos, Canadá, Suíça e Alemanha e aos quais trouxe uma linguagem inteiramente nova: a do risco.
Mais em Os Papas. O Banco Ambrosiano
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A cor da elite
Os afrodescendentes e afrodependentes brasileiros deveriam ler o texto que se segue. Em torno da mistificação de uma luta racial (como substituta de uma luta de classes), nada como uma boa desmistificação.
(Grifos meus.)
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“Elite branca” no Brasil

Em maio de 2006, quando uma organização criminosa nascida e comandada das penitenciárias dirigiu uma série de ataques a delegacias e bens públicos, causando várias vítimas e muitos prejuízos, o governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo, atribuiu à insensibilidade de uma pretensa “elite branca” os atuais desníveis sociais que seriam a causa da onda de violência. Sem perspectivas na sociedade brasileira de hoje, os jovens nascidos e criados em favelas e periferias e “educados” numa escola pública em frangalhos não teriam outra opção a não ser engrossar os exércitos da criminalidade.
Partindo de um antigo professor de Direito de duas das mais tradicionais universidades privadas de São Paulo, a Pontifícia Universidade Católica e a presbiteriana Mackenzie, a análise não surpreendeu por sua percuciência. De fato, as elites brasileiras — com paulistas à frente — estão entre as mais predatórias do mundo, “com uma história muito amarga de cerceamento de pessoas”. Com sua insensibilidade, essa elite — que é só elite, sem qualquer adjetivo — muito têm contribuído para agravar as distorções que tornam a sociedade brasileira uma das mais desiguais e injustas da face da Terra.
O chamamento à realidade do governador — de ascendência italiana —, portanto, soou como um alarme, uma advertência de que algo precisa ser feito para diminuir as disparidades de renda, sob o risco de o País virar um Haiti, única nação, aliás, que, nas Américas, vem conseguindo crescer menos que o Brasil.
Chamar essa elite de “branca” é que não está certo. É desconhecer a história do Estado. Quem já revirou os papéis do Arquivo do Estado ou mesmo leu os extensos volumes que reproduzem grande parte desses documentos dos séculos XVII e XVIII sabe que o paulista, aquele homem que se atirava aos sertões para aprisionar e, em muitos casos, degolar índios e, depois, atrás de ouro, prata e pedras preciosas, arrastando assim em direção ao Pacífico a imaginária fronteira estabelecida com Castela no Tratado de Tordesilhas, nada tinha de branco. Era, isso sim, um homem de pele escura, de feições indígenas, assim como os bolivianos e os paraguaios de hoje.
E o sangue português? Claro, corria nas veias daqueles homens, que viviam em pequenos povoados de Serra acima ou mesmo em São Vicente em terras de marinha, mas misturado a muito sangue indígena. Afinal, nos navios que traziam portugueses para a América não vinham mulheres. Até entre os nobres nomeados governadores foram raros aqueles que trouxeram família. Portanto, as mulheres disponíveis na terra eram as índias e, depois, as africanas e as miscigenadas.
Foi dessa gente de sangue português cruzado com sangue indígena e africano que nasceu a elite paulista. À custa de escravizar indígenas, conquistar e semear a terra e buscar o ouro, alguns deles chegaram a potentados, viraram régulos que andavam com 200 e tantos índios e negros armados e montados. Eram considerados homens bons, expressão da época que designava quem detinha poder econômico, mas não fidalgos: as atividades que desempenhavam eram incompatíveis com a fidalguia, ainda que um historiador paulista do século XVIII, Pedro Taques de Almeida Pais Leme, tenha procurado dourar brasões imaginários de seus antepassados.
Basta ver que o paulista Bartolomeu Bueno da Silva, descobridor e guarda-mor das minas de Goiás, havia sido açougueiro e um Pais Leme, ascendente do historiador, carpinteiro. Eram, sim, gente xucra, que não raro despertava o riso dos fidalgos nomeados governadores — geralmente, pessoas que conheciam outros idiomas —, mas só dos governadores e de mais um ou outro letrado porque a maioria dos que chegavam do Reino também era formada por pobres analfabetos. Quase sempre eram lavradores que fugiam da crise nos campos do Norte de Portugal ou, então, gente que negociava alguns anos de prisão no Limoeiro pela aventura ultramarina.
Quem duvidar de que a elite brasileira nunca foi branca que vá ao Museu da República no Rio de Janeiro e veja os quadros que retratam os primeiros presidentes e seus ministros. Ou, então, que observe os quadros que mostram os ministros de D.Pedro II. Quantos daqueles pró-homens seriam considerados brancos na Europa?
A que vêm estas considerações que já vão longe? Vêm a propósito do livro As trapaças da sorte, da historiadora Isabel Lustosa, pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, especialmente do ensaio “Negro humor: a imagem do negro na tradição cultural brasileira”, em que a cientista política mostra o preconceito racial que marca a tradição humorística brasileira.
Apesar do preconceito racial que sempre grassou por toda a sociedade brasileira, lembra a historiadora que alguns homens de origens africanas chegaram a ocupar a cadeira da presidência da República. Isabel Lustosa observa que Campos Sales, fazendeiro paulista que governou o País do final de 1898 ao final de 1902, era chamado de “branco de segunda” e “sepulcro caiado de raças tidas por inferiores” por José do Patrocínio, um dos patronos da abolição dos escravos em 1888.
Segundo Patrocínio, seria fácil, a um simples olhar, descobrir em Campos Sales “a testa do moçambique” e os “quadris do cabinda” e no “chorado de sua voz o algarvio que serviu de veículo às outras raças”. Patrocínio, filho de padre e de escrava lavadeira, dizia isso a propósito de uma velada intenção do governo de excluir marinheiros negros e mulatos da escolta que acompanharia Campos Sales em visita à Argentina em 1900. Para ele, se fosse para fazer essa discriminação, seria preciso começar pelo presidente da República.
Isabel Lustosa lembra ainda que o presidente Nilo Peçanha, que governou o País de junho de 1909 a novembro de 1910, era homem de traços marcadamente negros, o que motivou à época caricaturas e anedotas na imprensa que ligavam seu nome ao continente africano e, conseqüentemente, às suas origens.
Embora nunca tenha sido branca, a verdade é que a elite brasileira, até hoje, sempre procurou se passar por tal, como a recente intervenção do governador Lembo mostra. Isso se refletiu na imprensa e na produção cultural em que o negro sempre apareceu inferiorizado, o que só começou a mudar com a valorização de sua imagem social a partir da década de 1950, com a vitória da seleção brasileira de futebol no Mundial da Suécia em 1958 e algumas manifestações culturais, notadamente pela música.
Negros e mulatos combativos e contestadores, como Patrocínio e Lima Barreto, sempre foram tidos como fenômenos isolados, quase aberrações da natureza. Outros, como Castro Alves e Machado de Assis — que nunca levou a questão da cor para os seus romances e contos — conseguiram se tornar quase invisíveis, a ponto de se passarem por brancos como Campos Sales e Nilo Peçanha.
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AS TRAPAÇAS DA SORTE: ENSAIOS DE HISTÓRIA POLÍTICA E DE HISTÓRIA CULTURAL, de Isabel Lustosa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 314 págs., 2004. E-mail:editora@ufmg.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: adelto@unisanta.br
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Sunday, January 03, 2010
Somália e sua justiça
Abukar Mohamed Ibrahim, 48 anos, foi enterrado e apedrejado em julgamento somali por adultério.
Toda cultura tem o mesmo valor? Para quem?
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