Saturday, November 14, 2009

Ser Civil




Se bem for verdade que a mídia, mesmo que de modo não linear e não consciente conforma nossa visão e nossa memória, também é verdadeiro dizermos que vivemos imersos em dicotomias quase auto-explicativas que não são de hoje como deus/diabo; bom/mau; civilização/barbárie etc. Dentre estas dicotomias, uma ainda reina soberana entre nossos intelectuais. Arrisco dizer, hegemônica em nossos meios acadêmicos que é a que opõe “direita” a “esquerda” ou o que restou das mesmas.

Muito embora eu admita o caráter oportuno e didático de tais categorias de análise – pelo menos para dar início a um debate –, também não deixa de ser verdade que elas correspondem mais a um tipo-ideal de análise, não verificável na maioria das vezes.

O liberalismo[1], assim como o marxismo falhou flagrantemente ao menos num quesito: a elaboração consistente de uma Teoria do Estado. Na verdade, ambas cosmovisões fogem deste compromisso como o diabo foge da cruz e pagam até hoje um pesado ônus por isto.

Como explicar sem um estudo de nossas elites políticas (mais que econômicas), as movimentações que ocorrem hoje no cenário sul-americano? Por exemplo:

1.                             A postura de uma Venezuela Chavista ampliando seu consórcio geopolítico com a “Mãe Rússia” que lhe vende armamento bélico e presta assessoria estratégica;
2.                             Ou em sua fronteira ocidental, com garantias de acesso americano em sete bases colombianas, como se não bastasse todo o apoio que já obtiveram ao longo dos anos com seu chamado “Plano Colômbia” de combate às drogas e à narcoguerrilha;
3.                             E para não ficar pra trás, nosso governo, cuja “esperança venceu o medo” inova com um acordo franco-brasileiro entre 3 bilhões e € 4 bilhões na compra de caças Rafale de última geração, sem contar com os submarinos e até um porta-aviões, o São Paulo.

Se correto ou não é discutível, o certo é que temos como resumo da ópera um revival neocolonial, cuja novidade é que dessa vez, as velhas metrópoles européias e americana é que foram convidadas a se associarem.[2]

Frente a esta nova constelação do xadrez geopolítico onde fica o ambientalismo, particularmente no tocante às questões amazônicas? Há muitas esperanças em torno da possível candidatura de Marina Silva, ex-ministra do meio ambiente do governo Lula provavelmente pelo Partido Verde. Mas... Eis que me causou espanto recentemente a notícia de que a empresa Natura, gigante do setor de cosméticos que tem relações próximas com a senadora do PV, sofre ação movida pelo Ministério Público Federal por suposto aproveitamento ilegal do fruto do murmuru, prática de biopirataria pela patente não autorizada de um dos fitoterápicos da etnia ashaninka na fronteira com o Peru. Se for verdade, no que um possível “governo verde” apresentaria como traço distintivo que não seja a mesma globalização de que acusam as vozes mais “emancipacionistas”?

Cada vez tenho menos certezas sobre quem é quem. Mas, ainda me resta uma luz do farol, que teima em não se apagar: a de que o código civil das sociedades e seu senso de republicanismo é que deve ser mantido e isto transcende qualquer ideologia conveniente e oportuna de direita ou esquerda. A pergunta de ser ou não ser esquerda ou direita proponho outra, a de ser ou não ser civil, com todos os bônus e ônus que esta posição encerra.




[1] O liberalismo... Que foi a esquerda quando a aristocracia, na defesa do velho regime era a direita, no contexto da Revolução Francesa. E que hoje, frente às vertentes anarco-capitalistas é vista como por demais “estatista” na sua versão neoliberal porque admite “intervenções estatais cirúrgicas”. Estas para a salvação do mercado de suas crises conjunturais, notadamente as financeiras. Como se observa nos seguintes textos: Anarcocapitalismo; Estado Mínimo; Gobierno Limitado há pouca ou nenhuma menção a uma teoria do estado capitalista.


[2] O acordo do Brasil com a França inclui detalhes curiosos que vão muito além da compra de armamento, como o livre trânsito de pessoal militar francês em território amazônico brasileiro: “Quando necessário à implementação de uma das atividades descritas no Artigo 3 do presente Acordo, os membros do pessoal militar e civil de uma das Partes poderão residir temporariamente com suas famílias no território da outra Parte. A Parte Remetente transmitirá previamente às autoridades competentes da Parte Anfitriã dados de identificação das pessoas que deverão residir temporariamente no território da Parte Anfitriã, ao abrigo do presente Acordo.” Em: http://www2.mre.gov.br/dai/b_fran_186.htm, acessado em 21 de setembro de 2009.

Friday, November 13, 2009

Uma separação necessária






A pretensão de fusão entre ciência e política que vejo no discurso de certos ecologistas me incomoda. Não que não devamos procurar definir melhores critérios para nossas ações, mas definitivamente não podemos ter a pretensão a eliminar os graus de incerteza que enseja toda atividade política. E a incerteza pressupõe humildade.

“Ao tomarmos uma medida liberamos várias outras forças...” É verdade. Façamos um exercício de futurologia a partir de dois projetos de lei:


A Prefeitura de Xangri-Lá inicia, nos próximos dias, a primeira fase do registro de identificação de animais através da implantação de microchips. Os microchips serão implantados primeiramente nos eqüinos do Município e, posteriormente, na população canina e felina. A iniciativa integra um programa de controle populacional e posse responsável desenvolvido pela Vigilância Sanitária local. O equipamento possui um software que registra um número para cada animal.[1]

Agora vejamos esta:

The Children’s Secretary set out £400million plans to put 20,000 problem families under 24-hour CCTV super-vision in their own homes.
They will be monitored to ensure that children attend school, go to bed on time and eat proper meals.
Private security guards will also be sent round to carry out home checks, while parents will be given help to combat drug and alcohol addiction.
(…)
Pupils and their families will have to sign behaviour contracts known as Home School Agreements before the start of every year, which will set out parents’ duties to ensure children behave and do their homework.[2]

Eu conheço bem as agruras da atividade docente no ensino básico, mas nem é esta a questão. Formalizar um contrato de conduta é uma coisa,  mas monitorar o espaço privado da própria família com circuito interno de TV avança para um terreno que dilui os conceitos tradicionais sobre os limites entre as propriedades pública e privada. Polêmico, no mínimo. Mas, isto é uma sinalização de onde podemos também chegar com a questão ambiental... Se microchips podem ser implantados em animais domésticos que são propriedade de alguém, porque a própria propriedade territorial não pode ser monitorada? É uma extensão bem ousada do mesmo princípio, mas que não deixa de ser uma decorrência lógica que seguiria o mesmo princípio.

A “liberação de forças” não prevista, subprodutos de ações tidas como necessárias na atual conjuntura pode trazer certos inconvenientes que nem se faz idéia hoje em dia. Como solucionar ou, no caso, antever isto? Eu não tenho respostas para tanto, mas uma idéia me vem em mente: a resolução ou o caminho para esta se dá por uma óptica jusnaturalista, de definição clara entre espaço público e espaço privado.


[1] “Xangri-Lá vai implantar microchips em cavalos, cães e gatos” em <http://jornalintegracao10.blogspot.com/2009/08/xangri-la-vai-implantar-microchips-em.html>, acessado em 5 de setembro de 2009.

[2] “Sin Bins for worst families” em <http://www.express.co.uk/posts/view/115736/Sin-bins-for-worst-families>, acessado em 5 de setembro de 2009.

Thursday, November 12, 2009

Um reles indivíduo





Ao pensarmos sociedade nos acostumamos com grandes e numerosos atores capazes de fazer história. Ora são as nações, ora as classes sociais, ora as etnias etc. O engraçado é que num mundo tão povoado, cada vez mais povoado por indivíduos sobre tão pouco espaço para esta categoria de análise: o indivíduo.
Pois o caso em questão aborda precisamente isto: como um indivíduo pode e, de fato, conseguiu mudar uma larga e tradicional cultura produtiva. O Sr. Leontino Balbo Junior divergiu de um arraigado modo de produzir açúcar de cana, divergiu da cômoda taxa de lucro do curto prazo, de colegas empreendedores que viam com maus olhos sua campanha contra as queimadas nos canaviais, de uma indústria de insumos que oferece soluções rápidas a “pragas” e doenças da lavoura... Enfim, trata-se de um indivíduo que divergiu da tradição. É interessante notar que ainda soa estranho acreditar que o empreendedorismo, a atuação de um self made man tenha peso ao ponto de mudar todo um estado de coisas. Sobretudo quando nos acostumamos a pensar que o modo de produção capitalista impingiria contradições inexoráveis em sentido contrário ao conceito de sustentabilidade sócio-ambiental. Então, duas categorias que são verdadeiras “vacas sagradas” do pensamento social militante, a força do coletivo e a superação do modo de produção foram postas em cheque neste caso pessoal.
Uma questão importante que se põe para nós, portanto, é: será que as grandes inovações são mesmo processos anônimos, coletivos dependentes de uma lenta e gradual curva da evolução social ou podem partir de mudanças bruscas que sejam conseqüência da mera força da imaginação? É difícil para os ecologistas militantes crer que vários pressupostos seus, como a criação de uma matéria orgânica (húmus), o retorno da vida selvagem (mais de 100 espécies animais), independência de produtos químicos etc. não tenha partido de uma superação econômico-social nem de um pacto social entre governos, empresários e movimentos sociais, mas simplesmente da vontade de um indivíduo que não abdicou do lucro, como empresário que é, mas planejou sua atuação para auferir uma maior lucratividade no longo prazo. Então, como fica todo discurso de que capital e meio ambiente não combinam, neste caso?
Mais difícil ainda para os militantes de esquerda, com os quais, grande parte do discurso ecologista se confunde, é admitir que a sustentabilidade econômica e ambiental seja possível com uma empresa que detenha 14.000 hac, 90% do mercado de açúcar orgânico nacional, mais de 60% do internacional, atue em 67 países.
Portanto, o mais fácil é crer que se não temos uma solução definitiva para a problemática ambiental, ao menos temos indicações que nos levem a um processo. E este, ao que sugere a experiência do Sr. Balbo não é pré-determinada segundo um script político, não segue um deducionismo rigoroso, mas se pauta na velha e boa tentativa e erro. E por trás deste empirismo ocidental, uma boa dose de paixão e fé.

Direto de Moçambique (esta merece ser divulgada)




Escravatura 

– “Africanos também devem pedir desculpas”

Ouvir com webReader

Uma organização de direitos humanos na Nigéria pediu aos líderes tradicionais africanos 
que peçam desculpas pelo papel que desempenharam no comércio de escravos.
O Congresso dos Direitos Civis diz ser altura de os líderes africanos copiarem os EUA 
e a Grã-Bretanha que já lamentaram o sucedido.
Numa carta endereçada a líderes tradicionais, o Congresso dos Direitos Civis disse 
que estes não podiam continuar a culpar os homens brancos quando os seus próprios 
ancestrais haviam ajudado a capturar e a raptar comunidades indefesas, vendendo-as 
depois aos americanos e aos europeus.
SUGESTÃO – 12.11.2009



O déficit social entre o espasmo privatista e a perenidade pública




Saneamento privado não chega a favelas



Brasília, 22/10/2009 
Privatização provocou uma queda nos investimentos em água e esgoto nas áreas urbanas mais pobres do mundo, diz artigo

OMS/Divulgação
da PrimaPagina
A privatização de serviços de água e saneamento não melhorou as condições em favelas urbanas, afirma um artigo divulgado pelo IPC-IG (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), órgão do PNUD em parceria com o governo brasileiro. O texto diz que, especialmente nos países pobres da África, a concessão para a iniciativa privada derrubou os investimentos diretos no setor.
Intitulado "Acesso à Água nas Favelas do Mundo em Desenvolvimento", o artigo foi publicado na revista Poverty in Focus, do IPC-IG. De acordo com os autores, os economistas Hulya Dagdeviren e Simon Robertson, da Universidade de Hertfordshire (Reino Unido), “em regiões onde os serviços públicos foram privatizados, houve problemas relacionados a adequação do orçamento e regulamentação dos serviços”.
Com a privatização, o setor público se retirou do setor, mas as favelas ficaram desassistidas. “A mudança para serviços privatizados ou comercializados significou queda nos investimentos públicos em água, mas a lacuna não foi coberta pelo setor privado”, escrevem os autores, que, no entanto, não apresentam números sobre o impacto da privatização em favelas.
Os assentamentos informais sofrem mais intensamente a falta de água e esgoto em razão, dentre outras coisas, das condições geográficas, que dificultam a instalação de encanamentos. A localização em morros, várzeas ou áreas desérticas, a urbanização desordenada, as construções precárias exigem que o poder público interfira. As incertezas sobre posse da terra também dificultam a instalação de benfeitorias. “Planejamento urbano e problemas de posse do espaço exigem uma intervenção multifacetada dentro do escopo dos governos”, defendem os economistas. “A privatização não é uma opção em áreas pobres e de baixa renda onde os serviços não são lucrativos”, afirmam.
Para o setor público, porém, há grande benefício em melhorar as condições das favelas, pois o acesso a água potável diminui a incidência de doenças e de mortalidade, com aumento na produtividade das pessoas e queda dos gastos com saúde. A cada dólar investido no setor, economiza-se entre US$ 3,9 (África Subsaariana e sul da Ásia) a US$ 17,2 (América Latina).
No entanto, a maioria dos países em que grande parte da população vive em favelas não deve conseguir atingir a meta desaneamento dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio).
O sétimo dos oito ODM prevê a redução pela metade da população sem acesso a água potável e saneamento entre 1990 e 2015. Mas em Moçambique, em que 94% da população urbana vive em favelas, a porcentagem de pessoas sem acesso a água encanada aumentou de 67% para 82% entre 1990 e 2004. Em Uganda, onde 93% moram em favelas, a população sem água encanada também cresceu no período: de 73% para 96%.
No Brasil, o serviço de água e esgoto é privatizado em alguns municípios, principalmente na região Sudeste. O país, porém, conseguiu implantar, com sucesso, regras para obrigar investimentos do setor privado, diz estudo publicado na mesma edição da revista Poverty in Focus. O economista André Rossi de Oliveira aponta que o serviço privado conseguiu melhorar o acesso a água em mais de 26% entre 1995 e 2003. “Há evidências de que uma maior presença de empreendimentos privados no setor de água brasileiro pode ser benéfica (...) porque pode melhorar o acesso dos pobres quando isso for uma obrigação contratual”, afirma.
Copiado de:
PNUD Brasil

[Só uma coisinha, ou melhor, duas: antes do espasmo privatista, já que o mesmo terminou, o investimento público em saneamento era bom ou, sequer suficiente? E, a quantas andam as regularizações fundiárias, tão alardeadas como necessárias, particularmente, por este governo e que deveriam funcionar como pré-condição para a instalação da infra-estrutura sanitária?]

Wednesday, November 11, 2009

Entre dois mundos







The universe divided
As the heart and mind collided
With the people left unguided
For so many troubled years
In a cloud of doubts and fears
Their world was torn asunder into hollow
Hemispheres

Some fought themselves, some fought each other
Most just followed one another
Lost and aimless like their brothers
For their hearts were so unclear
And the truth could not appear
Their spirits were divided into blinded
Hemispheres





Apolo atormentado


Bruno Latour descreve a Ecologia Política como “uma mistura de política grega, cartesianismo francês e parques americanos”. A premissa desta definição é da prática política da ecologia ainda ser externa ao modo de vida de nossa atual civilização urbana. Embora, o “espírito” dos parques aplicado ao desenvolvimento urbano já não seja mais tão presente desde o fracasso das “cidades-jardim”, algo restou, sobretudo quando se avalia desenvolvimento sustentável por indicadores como arborização.

Quando se pensa modelos urbanísticos como a cidade-jardim, como exemplos de “anticidade” se percebe que por trás de indicadores como arborização ou outros algo mais vagos como “sustentabilidade” existe uma visão política, quiçá filosófica da cidade. Assim como o político e o urbanista se confundem neste e em outros momentos, o militante ecologista também o faz em contraposição à figura pura de um ecólogo tout court. Mesmo porque o ecólogo, enquanto cientista não deixa de ser alguém guiado por valores. A idéia de um “ser livre de sentimentos e valores”, “weberianamente desencantando” não faz jus à realidade. Não somos guiados somente por uma racionalidade estratégica, temos também nossa racionalidade substantiva, cujos princípios podem ser inarredáveis. Se por um lado relativizamos qual seria o combustível ou fonte energética menos impactante a ser utilizada nos coletivos que nos conduzem pelos meandros da cidade, isto também se dá porque não queremos que certas espécies de pássaros nos abandonem em frente à janela. Ou seja, há situações que não se circunscrevem de imediato a um calculo de custo/beneficio, cujo foco seja apenas o transporte urbano. Podemos fazer concessões esperando uma situação ótima ou mais apropriada segundo nossas premissas, sem com isto descartarmos ideais que nos são caros.


Uma pitada de Dionísio


Como redefinir a política através da militância ecológica? Não é tão simples não separar a estratégia econômica e sua racionalidade da busca da manutenção de certas premissas e valores. Mesmo porque a própria situação colocada diferenciando uma instância da outra já constitui, a priori, uma separação. No entanto, a separação entre ciência e política não constitui uma dicotomia intransponível. Se guinadas à direita ou à esquerda não apresentam mais projetos suficientes, parecendo mais uma sacola de pedras a ser carregada, por demais pesadas para o projeto ecológico, a proposta de explorar instituições novas da vida pública é sedutora.

Difícil é saber se o tão desejado equilíbrio entre ciência e política não venha a se transformar na luta dos deuses com o ônus psíquico de uma destruição do que nem sequer pode germinar.

Monday, November 09, 2009

Sensoriamento Retórico

Um candidato (derrotado) à prefeitura de Florianópolis lançou como proposta de campanha, um monitoramento em tempo real de toda invasão e ocupação de áreas de preservação. Minha surpresa foi menos com a proposta em si do que com seu conteúdo prático: não tenho conhecimento de quem, no cenário político nacional, faça uma defesa da propriedade, no caso a pública, com tanta veemência. Em tempos de “politicamente correto”, candidatos de diversos matizes, os auto-declarados de esquerda e os acusados de direita primam por não tocar e considerar questões sensíveis como esta. Se a preservação de áreas públicas, especialmente as de valor ambiental, como mananciais e encostas íngremes com suas matas originais têm apelo midiático imediato, a moradia e habitação popular também. O problema não analisado, sequer mencionado, é que, não raro, preservação e moradia costumam se colocar como prioridades distintas, às vezes antagônicas em se tratando de um espaço específico e território definido.

Analogamente, como equalizar a habitação popular de “caráter social” em áreas de caráter ambiental crítico como os mananciais das represas Billings e Guarapiranga em São Paulo? Qual o custo social de se permitir, sob a justificativa da “justiça social” de que se ocupe o entorno de áreas consideradas estratégicas para o abastecimento da população paulistana? Estas e outras questões afetam o grosso das urbes brasileiras que têm discursos paralelos para as questões ambientais e urbanas (sociais) como se fossem desarticuladas. O que fazem costumeiramente nossos acadêmicos é confundir tudo em uma salada retórica como se o simples planejamento e assentamento de “caráter social” fosse algo, por si só, suficiente para apaziguar diferenças nos objetivos. Não há como se almejamos uma mínima qualidade ambiental para nossas cidades não impor limites a ocupação desenfreada e sem critério. Morar é um direito, mas que esse direito não atinja negativamente os direitos alheios a um meio ambiente minimamente capaz de servir itens básicos, como a água, dentre outros.

Portanto, o referido candidato se posicionou. Cheguei a ir a um jantar de articulação entre seus partidários de tão curioso que fiquei. Ao conversar com um assessor próximo lhe perguntei como fariam em termos de infra-estrutura e custos, ao que logo logo me desencantei:

-- É possível sim, já fiz curso na área. Hoje é possível observar de satélite, em tempo real, tudo que acontece.

“Tempo real...” é uma dessas expressões da moda que encanta incautos. Mesmo que haja imagens disponíveis do satélite sino-brasileiro CBERS e outros no site do INPE, tais visualizações não estão na hora que quisermos quando quisermos. Se for diária terá que se pagar pelo serviço e até onde sei, não é barato. Acho que sobrevôos periódicos com um helicóptero ficariam mais em conta até.

Mas, de quanto tempo precisa para se levantar um barraco nas dunas ou em meio aos morros?

Sociopatia ou psicose?

Sudden Jihad or "Inordinate Stress" at Ft. Hood?
by Daniel Pipes
FrontPageMagazine.com
November 9, 2009



Maj. Nidal Malik Hasan, the Ft. Hood jihadi, in a picture from 2000.
When a Muslim in the West for no apparent reason violently attacks non-Muslims, a predictable argument ensues about motives.

The establishment – law enforcement, politicians, the media, and the academy – stands on one side of this debate, insisting that some kind of oppression caused Maj. Nidal Malik Hasan, 39, to kill 13 and wound 38 at Ft. Hood on Nov. 5. It disagrees on the specifics, however, presenting Hasan as the victim alternatively of "racism," "harassmenthe had received as a Muslim," a sense of not belonging," "pre-traumatic stress disorder," "mental problems," "emotional problems," "an inordinate amount of stress," or being deployed to Afghanistan as his "worst nightmare." Accordingly, a typical newspaper headline reads "Mindset of Rogue Major a Mystery.".
Instances of Muslim-on-unbeliever violence inspire the victim school to dig up new and imaginative excuses. Colorful examples (drawing on my article and weblog entry about denying Islamist terrorism) include:


Sgt. Hasan Karim Akbar, convicted of the 2003 murder of two fellow soldiers.
Additionally, when a Osama bin Laden-admiring Arab-American crashed a plane into a Tampa high-rise, blame fell on the acne drug Accutane.

As a charter member of the jihad school of interpretation, I reject these explanations as weak, obfuscatory, and apologetic. The jihadi school, still in the minority, perceives Hasan's attack as one of many Muslim efforts to vanquish infidels and impose Islamic law. We recall a prior episode of sudden jihad syndrome in the U.S. military, as well as the numerous cases of non-lethal Pentagon jihadi plots and the history of Muslim violence on American soil.
Far from being mystified by Hasan, we see overwhelming evidence of his jihadi intentions. He handed out Korans to neighbors just before going on his rampage and yelled "Allahu Akbar," the jihadi's cry, as he fired off over 100 rounds from two pistols. His superiors reportedly put him on probation for inappropriately proselytizing about Islam.
We note what former associates say about him: one, Val Finnell, quotes Hasan saying, "I'm a Muslim first and an American second" and recalls Hasan justifying suicide terrorism; another, Col Terry Lee, recalls that Hasan "claimed Muslims had the right to rise up and attack Americans"; the third, a psychiatrist who worked very closely with Hasan, described him as "almost belligerent about being Muslim."
Finally, the jihad school of thought attributes importance to the Islamic authorities' urging American Muslim soldiers to refuse to fight their co-religionists, thereby providing a basis for sudden jihad. In 2001, for example, responding to the U.S. attack on the Taliban, the mufti of Egypt, Ali Gum'a, issued a fatwa stating that "The Muslim soldier in the American army must refrain [from participating] in this war." Hasan himself, echoing that message, advised a young Muslim disciple, Duane Reasoner Jr., not to join the U.S. army because "Muslims shouldn't kill Muslims."
If the jihad explanation is overwhelmingly more persuasive than the victim one, it's also far more awkward to articulate. Everyone finds blaming road rage, Accutane, or an arranged marriage easier than discussing Islamic doctrines. And so, a prediction: what Ralph Peters calls the army's "unforgivable political correctness" will officially ascribe Hasan's assault to his victimization and will leave jihad unmentioned.
And thus will the army blind itself and not prepare for its next jihadi attack.
Mr. Pipes is director of the Middle East Forum and Taube distinguished visiting fellow at the Hoover Institution of Stanford University.
Related Topics:  Muslims in the United StatesRadical IslamTerrorismreceive the latest by email: subscribe to daniel pipes' free mailing list


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Eu costumo ler os artigos do Pipes que são bastante informativos. Ou seja, é uma fonte que me é útil e com a qual, em geral, concordo. MAS, ele está se antecipando e pode dar com os burros n'água nesta aí:




1. Se "o exército [americano] está cego e pode esperar pela próxima jihad", te pergunto há quanto tempo o exército e a sociedade americana estão cegos para diversos ataques de mesmo padrão que sofrem? Exceto pela religião e origem do sujeito, não muda nada em relação a outros ataques similares. Inclusive, mais interessante e notório para mim é o fato deste psiquiatra ter estudado na Virginia Tech de onde, recentemente, tivemos notícia de um descendente de coreanos que também executou vários colegas. E em Columbine, Colorado os assassinos eram por acaso muçulmanos ou coreanos? Por que aí a direita americana não fala em alguma sociopatia? Não, ela se limita a criticar os críticos de armas...


2. O artigo tenta desmerecer especulações sobre o que teria levado Hassan a fazer o que fez, inclusive opiniões que são hipóteses, mas bem fundamentadas por especialistas e, claro, outras opiniões de mea culpa criticando a própria sociedade que, para mim, também não passam de clichês. No entanto, quando se trata de tomar a opinião de um outro especialista, psiquiatra, sobre seu colega assassino para relatar que "Hassan ficava agressivo quando falava de Islã" (ou algo assim...), daí a opinião do especialista (que no caso não passou de um simples relato e impressão subjetiva) toma ares de revelação. Ora, dá pra ver claramente aí que se utilizou de dois pesos e duas medidas. Se o sujeito portava algum transtorno mental é acobertar o jihadismo, mas se ele ficava "agressivo" ao falar sobre sua religião, desde que um doutor o diga, então temos um verdadeiro diagnóstico?


Antes que me interprete mal, eu sou contra os jihadistas e acho que merecem bala e míssil sim. Mas, não é por isso que vou fazer escárnio da ciência em nome do pavor que nutre o obscurantismo. Jihadistas não sou loucos, eles têm uma lógica, raciocínio peculiar do mesmo modo que os nazistas tinham a sua (ou o 3º Reich inteiro era formado por psicóticos e mentecaptos?). O pior de tudo, o horror é quando nos deparamos com seres humanos sãos que acham legítimo o que fazem e isto nos choca ao ver como semelhantes podem encontrar, racionalmente, segundo suas razões, motivos que justifiquem esta barbárie. Como a violência é o resultado tanto de certa racionalidade quanto de uma patologia é sedutor colocá-las no mesmo saco ao invés, talvez, de avaliar como uma combinação das duas pode resultar.


Então Hassan seria um jihadista ou "mezzo-jihadista"? Aí eu não sei, mas sei que se ele já tinha dado sinais, inclusive os relatados agora neste artigo, o exército americano em algum ponto falhou em não descartá-lo. Inclusive se em Fort Hood se tratava de uma área "livre de armas" em que seu porte era proibido, como não julgar negativamente o serviço de inspeção e segurança?


Se os EUA estão em guerra, medidas mais rigorosas deveriam ser rotineiras. 


Quanto a Hassan, eu espero que apodreça na cadeia. Mas, ligá-lo a uma ação jihadista e movimento (que presume-se organizado) é anteceder-se aos fatos por serem descobertos.


Sunday, November 08, 2009

O saudoso vestibular e a maldita pedagogia


Com o Provão se ampliou as possibilidades de melhorar a classificação de vários cursos privados de ensino superior no país. Passar ou não passar em concorridos cursos nas universidades públicas já não se tornava condição sine qua non para adquirir um diploma suficiente para seguir a tão almejada carreira. As universidades e faculdades privadas ampliavam o número de vagas com facilidade. Em primeiro lugar, sou favorável a estes cursos; em segundo, também sou favorável aos “cursinhos” no que sou suspeitíssimo para falar: me fiz neste meio como professor por quase duas décadas. Conheço em detalhe como funcionam e afirmo, temos soluções para o ensino de verdade. Ensino e não, educação, pois esta, ao contrário do que dizem os pedagogos não é um produto escolar.
Uma questão básica que se furtam a discutir é a disciplina escolar. Hoje, de sul a norte, de leste a oeste neste país continental é extremamente difícil para um profissional praticar sua atividade de ensino. O comportamento inadequado grassa nos meios de ensino amparado por uma estúpida legislação, o ECA. Nos “cursos livres”, não submetidos a esta legislação e nem tampouco ao MEC, quando desrespeitadas as regras de contrato, os alunos sujeitam-se a suspensão e, no limite, a expulsão. O professor se torna um verdadeiro condutor da dinâmica em sala de aula. Exigimos e obtemos respeito. Já, nas salas de aulas das escolas, o que ocorre é exatamente o oposto do filme de Alan Parker, The Wall... Tal como está o sistema não permite que haja clima condizente com a necessidade e disciplina de estudo. E não me venham com “pedagogias libertadoras”, pois tudo que conseguiram até hoje foi baixar o nível e qualidade de ensino. Será que ninguém enxerga que as péssimas colocações do Brasil em avaliações de ensino mundiais têm a ver com normas e propostas pedagógicas extremamente distantes da experiência de quem realmente encara salas lotadas?
Tudo que fazem os cursinhos é reparar o mal que décadas de ensino escolar produziram na mente do aluno: a ausência de responsabilidade, que seria sua maior lição. A verdade atualíssima na realidade brasileira é que os cânones da pedagogia brasileira se tornaram os maiores inimigos do ensino. Sua maior referência é Paulo Freire, quem “inovou” ao alfabetizar com palavras-chave como luta, terra, revolução etc. O “método social-histórico” que defendem não é outra coisa senão aplicação do marxismo em salas de aula com conceitos como luta de classes. Quando falam em “realidade” se limitam a suas falsas consciências que não passam de péssimos instrumentos até mesmo para a mais rasteira das doutrinações.
Não se trata de um grande plano conspiratório ou algo assim, mas de uma conveniência teórica de 5ª categoria ditada pelo comodismo corporativista, sindicalista e hipócrita que aponta como “solução” a simples carreira do servidor e professor que acha que o simples aumento da massa salarial criará, em um simples passe de mágica, as condições para a melhoria da qualidade de ensino.

Saturday, November 07, 2009

Curso ultra-rápido de medicina nos EUA?




Aqui, um primor de paranóia conspiratória: 





Que diabos tem a ver o assunto com casamento gay e medicina socializada?


Se o indivíduo for diagnosticado como portador de um transtorno mental, como fica a consciência em adotar um programa político fundamentalista religioso? Isto não requer consciência? A jihad é mais que um ato tresloucado de violência, ela requer ação deliberada em causar dano ao seu suposto inimigo.


Este militar, médico, que fez faculdade às custas do estado, por acaso, começou com o governo Obama? Medicina é tão rapidinho assim?